Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Acidentes. Responsabilidade da segurança

28 de Abril de 1988, acidente com avião Boeing 737 da companhia Aloha Airlines. Estes tiveram sorte. Apanharam o maior susto da vida mas sobreviveram.   http://www.aloha.net/~icarus/index.htm

 

Acidente aéreo de Madrid (20 Agosto 2008) e o descarrilamento do metro de Mirandela na linha do Tua (23 Agosto 2008).

        Há inspecções a aviões e a comboios, mas os acidentes ocorreram, mais que provavelmente, por graves falhas técnicas ou dos técnicos. Um avião, ao acabar de descolar de uma pista perde sustentação e precipita-se em direcção ao solo. Poucos acreditarão, ou pelo menos será muito raro, que os pilotos que também acabam por ser vítimas dos “acidentes”, cometam erros fatais irremediáveis, ou que um maquinista de um comboio consiga fazer descarrilar uma composição a baixa velocidade. Então quais as verdadeiras causas?

      O que começa a ser preocupante para os utentes, é que, depois de acidentes graves (com muitos mortos) há comissões de inquérito que facilmente concluem que tudo estava bem antes do acidente e que os aparelhos tinham sido sujeitos às necessárias verificações técnicas e que tudo estava em boas condições. Que os responsáveis das companhias ou os inspectores se desculpem ainda se compreende, mas as comissões de inquérito, essas por definição devem ser imparciais.

      Uma dedução lógica irrefutável é que, se um acidente aconteceu por causas técnicas é porque algum erro existia e não foi detectado. Ou porque os meios de detecção não foram suficientemente bons, e é necessário melhorá-los, ou porque os inspectores não foram competentes para o trabalho que lhes era pedido. É fácil compreender a certeza e confiança dos ignorantes, mas estes estão subordinados a uma cadeia de chefias e nesta alguém tem de assumir as maiores responsabilidades.

O resultado de um inquérito deve ser inevitavelmente o de identificar as causas dentro do que aconteceu de um dos cinco grandes grupos de possibilidades:

    1 – Falha mecânica da máquina.

    2 – Erro dos pilotos ou condutores.

    3 – Erro da manutenção.

    4 – Causas naturais (mau tempo, sismos, etc.).

    5 – Causas intencionais (sabotagem, terrorismo).

 

     Os erros (1) são em última análise também de causa humana, ou dos engenheiros que conceberam os aparelhos, ou de quem os fabricou.

    Os erros (2) dos pilotos ou condutores, ou são devidos a eles próprios, por não terem cumprido com regras estabelecidas, ou por seu desconhecimento dos correctos procedimentos, o que pode ser atribuído a má preparação e falta de conhecimentos ou de experiência.

    Os erros (3) são da responsabilidade dos mecânicos ou devidos à sua falta de preparação ou de falta de condições nas oficinas, ou ainda à falta de verbas para peças sobressalentes e reparações.

    Os erros (4) de causa naturais podem dividir-se entre os mais facilmente previsíveis como mau tempo ou a fenómenos menos prováveis como sismos ou derrocadas, mas também aqui algumas medidas preventivas podem minorar grandemente os efeitos.

    Os erros de tipo (5) são de certo modo imprevisíveis, pois não pode haver um polícia atrás de cada cidadão, mas podem ser minorados com algumas medidas preventivas.

 

Em resumo, o erro é sempre dos homens. De alguma dos elos da cadeia de intervenientes e responsáveis. Portanto, se não é do operador final da cadeia, é do responsável que o escolheu para a tarefa que não foi bem realizada e de quem lhe deu autonomia de operação, ou ainda de mais alguém pelo meio.

 

O que é inaceitável, acontece em Portugal, e pelos vistos também em Espanha, é concluir-se que a causa de determinado acontecimento é não determinada, e que a culpa não é de ninguém. É espantoso, mas é assim que acontece por estes lados do Mundo.

 
Anexos

http://diario.iol.pt/sociedade/tua-metro-parafusos-refre-linha-acidente/984950-4071.html
 

“A Refer, responsável pela rede ferroviária, explicou esta terça-feira que os parafusos retirados por jovens da Linha do Tua no domingo não ameaçam a segurança da circulação, reiterando que a empresa realiza inspecções e manutenções diárias na via.

Em declarações à Lusa, fonte da Refer sublinhou que os técnicos da empresa que avaliaram a linha onde descarrilou sexta-feira uma composição do Metro de Mirandela, a cerca de um quilómetro da estação da Brunheda, causando um morto e 43 feridos, «não detectaram qualquer deficiência nesta infra-estrutura».

No domingo, cerca de 40 jovens entregaram ao chefe da estação do Tua, funcionário da Refer, vários parafusos «soltos» que recolheram à mão e que são, para o grupo, o «símbolo da insegurança» e da «falta de manutenção e de cuidado» que há na Linha do Tua, que liga as Estações de Mirandela e do Tua. “

 

 

Ex. Madeira boa no entender dos inspectores da REFER, mas má na minha opinião.
Ou seja, a velhíssima história do copo meio vazio para uns e meio cheio para outros.
 

 Zonas de sobrevivência, nos casos em que houve sobreviventes. As diferenças são pequenas, mas atrás (zona verde) é ligeiramente mais seguro, nos aviões com motores nas asas., mas são os lugares mais desconfortáveis (ruído, cheiros, oscilações).

publicado por Eu mesmo às 22:37

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