"A VOTAÇÃO DA VERGONHA"
Hoje, Portugal ajoelhou-se. Não por fé, mas por cobardia.
Hoje, uma parte do povo puxou as calças abaixo, abriu as pernas ao fascismo e chamou-lhe “mudança”.
Sim, é isso mesmo que aconteceu.
Uma força fundada no ódio, alimentada a “fake news”, racismo e vómito ideológico, tornou-se a segunda força política de um país que jurava ter aprendido com a História.
Mentira!
Vivemos entre analfabetos políticos com curso superior, “influencers” da ignorância e velhos do Restelo com saudades da PIDE.
Vivemos entre gente que confunde brutalidade com coragem, e gritaria com solução.
Vivemos num país onde se bate palmas ao Ventura porque ele “diz as verdades”.
Que verdades?
Que o pobre é vagabundo? Que o cigano é ladrão? Que a mulher deve saber o seu lugar?
Que o artista é parasita? Que os direitos humanos são mariquices da esquerda?
O que se votou hoje não foi um protesto, foi uma rendição.
Foi a legitimação da escória.
Foi dizer: “Sim, aceitamos ser governados por um partido que cospe na Constituição, que quer listas de inimigos, que só não acende fornos porque não quer respirar as cinzas.”
Não é exagero. É diagnóstico.
O fascismo moderno não entra de botas. Entra de blazer justo, voz rouca e hashtag.
E uma parte de Portugal abriu-lhe a porta, fez-lhe o jantar e ainda lhe deu a senha do Wi-Fi.
O PS falhou.
O PSD pactua.
A esquerda fragmentou-se em birras.
E o povo… o povo escolheu o grito mais alto, não a razão mais justa.
E não me venham com conversas sobre democracia.
A democracia também elegeu Hitler.
A democracia, sem memória, sem cultura e sem coragem, é só um palco aberto para monstros bem vestidos.
Se hoje tens vergonha... mostra-a.
Se tens raiva... canaliza-a.
Porque o país em que vamos acordar amanhã já não será o mesmo.
E se não fizeres nada, vais acordar um dia com a boca tapada e as mãos atadas, e vai ser tarde demais para dizer que não sabias.
@Pedro Lima
17Mai25