Domingo, 22 de Junho de 2025

Eleições legislativas 17 MAI25 - (continuação)

O país que o Chega não conquistou

O concelho onde o Chega teve o seu pior resultado no país inteiro foi Oeiras.

Espantados? Não.

É em Oeiras que encontramos uma das populações mais qualificadas de Portugal. Onde os rendimentos medianos são altos. Onde o abandono escolar é baixo, a coesão comunitária é real e os serviços públicos estão presentes.

E Oeiras não está sozinho.

Em freguesias como Avenidas Novas, Alvalade, Campo de Ourique ou o Parque das Nações - todas em Lisboa e com mais de 50% da população com ensino superior - o Chega ficou abaixo dos 10%.

O mesmo se passou em São João da Madeira e Coimbra, concelhos com forte presença cívica, bons níveis de literacia e serviços públicos com proximidade. Lugares onde a pertença não é retórica: é prática.

Até Bragança, o único distrito onde o Chega não elegeu qualquer deputado, confirma esta lógica: apesar da interioridade.

Nestes territórios, as pessoas sentem que têm esperança no futuro.

As escolas ensinam. E como dizia Nelson Mandela, são a arma mais poderosa para mudar o mundo.

Os bairros não são esquecidos.

E quem governa está presente.

Quando o Estado está onde deve estar - na rua, na escola, na saúde - o Chega tem dificuldades em ganhar terreno.

O Chega não cresce onde há pertença.

Não floresce onde há literacia.

Não vinga onde os filhos têm futuro.

Não “berra” onde o medo não manda.

O populismo alimenta-se de ausência, ressentimento e desilusão.

Por isso, onde há dignidade no quotidiano, o Chega perde.

Não se trata apenas de combater o Chega.

Trata-se de criar territórios onde ele não faça sentido.

Onde a política seja presença. Onde o futuro seja possível.

O problema nunca foi o Chega.

O problema é o país onde o Chega faz sentido.

É o abandono tornado norma.

É o elevador social avariado.

É a escola que deixou de ensinar a pensar.

É o Estado que deixou de estar.

E sim, o Chega tem adeptos organizados e fanáticos.

Mais do que um partido, o Chega comporta-se como um clube.

E quem acha que o combate se faz com moralismo está enganado.

Clubes não se enfrentam com sermões. Enfrentam-se com resultados.

 

Querem resposta?

Na escola que não fecha.

No centro de saúde que atende.

No bairro que não se degrada.

O Chega cresce onde o Estado social encolhe.

E por onde o Chega não ganha, vence a política que não se demite, a gestão que faz acontecer, o serviço público que não fecha.

Vence a competência de quem faz.

Porque quando a democracia funciona, o populismo extremista não vinga.

Não por falta de claque, mas porque, ali, o silêncio da dignidade fala mais alto.

Mais do que nunca, os partidos devem refletir sobre o papel do Estado local na contenção, ou expansão, do populismo.

É urgente apostar em regiões e candidatos autárquicos com visão, competência e coragem transformadora.

Ou ainda há quem duvide que Beja, Portalegre, Setúbal e Faro foram deixados para trás pelo Estado central e pela ausência de lideranças fortes?

Nota: Texto de autor desconhecido

publicado por Eu mesmo às 23:29

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