Domingo, 5 de Junho de 2011

Privatize-se tudo

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III - pag. 148
publicado por Eu mesmo às 18:01

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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Tudo previsível - sobretudo o mal

Na política, tal como no futebol e na religião, ninguém muda de ideias por argumentos, mesmo que óbvios e muito bem fundamentados da parte contrária. É um defeito do ser humano, mas é mesmo assim. Só as pessoas muito inteligentes mudam de ideias. Infelizmente os medianos e os estúpidos mantêm as suas estupidezes até ao fim, e estes estão, em geral, em maioria.

Exemplos:

  1. Religião. Mesmo que se prove que o que é dito por uma determinada comunidade religiosa seja falso, não tenha fundamento ou seja profundamente injusto, os seguidores dessa crença são surdos e cegos relativamente a argumentos contrários. Não adianta discutir com um católico que a bíblia está errada quando diz que a humanidade veio de Adão e Eva e que a Terra tem só 010 000 anos. Eles sempre dirão que o que é dito é de uma forma figurada mas no fundo está correcto.
  2. Futebol. Relativamente ao futebol, mesmo que o clube de preferência de um adepto não ganhe jogos e cometa as maiores irregularidades, eles acharão sempre que a culpa é dos outros, em particular dos árbitros.
  3. Política. Aqui as coisas deviam passar-se de forma um pouco diferente, mas na realidade é tudo muito parecido. Disse no princípio que só mudam de ideia as pessoas inteligentes e admitiria que este tipo de gente talvez não abunde grandemente nos dois primeiros grupos anteriores, mas os políticos e as pessoas ligadas à política deviam ser pessoas informadas, cultas, ponderadas, pensantes, capazes de ouvir os outros, afinal são eles que tomam as decisões que dizem respeito a toda a sociedade:

O defeito é mesmo dos Homens. Ou seja, da grande maioria deles. As excepções são muito poucas. Aliás isto passa-se na ciência, na música, no desempenho físico, etc., no passado, no presente e provavelmente, no futuro. Os cientistas que fazem o conhecimento avançar são sempre um pequeníssimo número de iluminados, muitas vezes contrariados e condicionados pela maioria estúpida (exemplo: quando Galileu disse que a terra girava à volta do Sol, caiu-lhe tudo em cima).

Portugal talvez seja o mais claro exemplo da falta de lógica no comportamento dos homens. Os políticos portugueses comportam-se como crianças, como imbecis ou como deficientes mentais.

Alguém que seja um pouco superior à mediocridade geral é diabolizado pela maioria, ou pelas maiorias de circunstância. Exemplo: Não temos um Primeiro-ministro perfeito, mas mesmo que tivéssemos os que lutam pelos partidos contrários nunca diriam que ele tem razão nisto ou naquilo. Se é do partido contrário, então o que se tem de dizer é dizer mal. É o que se vê todos os dias. Exemplos:

  1. O PSD queria portagens em todas as auto-estradas, mas tudo fez na prática para que os pagamentos não avançassem.
  2. Os juízes do caso Freeport não conseguiram provar irregularidades de José Sócrates, mas insistem em manter o homem eternamente como suspeito.
  3. Os submarinos comprados recentemente não servirão para nada, mas os políticos que fizeram os contratos de aquisição nunca admitirão a óbvia inutilidade, nem as irregularidades no negócio.

Democracia para quê? Para alimentar pançudos?

Então quais as alternativas? Um Rei? Um ditador? A anarquia? – Não sei a resposta!

Tenho de admitir que a resposta cada vez mais provável seja - “Sim”, uma pessoa que mande. Mas isto só funcionaria se fosse a autoridade de um iluminado, o que nunca está garantido à partida. Muito menos garantido está o facto do filho do rei ou do ditador virem a ser os continuadores das boas ideias dos antecessores.

Termino então como começámos. Todos os sistemas têm defeitos porque os homens têm muitos defeitos. À partida não há garantias que a democracia resulte, assim como podem não resultar as monarquias, nem o comunismo, nem as ditaduras. Tem de se pensar numa forma de cultura superior das pessoas para que a escolha dos dirigentes com autoridade seja feita de forma perfeita.

Os “dirigentes superiores” terão de demonstrar total dedicação ao seu trabalho, sem benefícios pessoais. O primeiro critério teria de ser – cumprir uma missão a favor de todos os seres humanos – a recompensa principal seria o bom nome na história.

Democracia à portuguesa

Quem aceitaria viajar num autocarro em que o motorista fosse escolhido por votação dos passageiros, mas ao mesmo tempo fossem eleitos mais cinco motoristas assistentes que enquanto o primeiro conduz ou outros passam o tempo a dizer: vira à esquerda, vira à direita, acelera, trava, cuidado olha para o autocarro do lado, estás a conduzir mal, nós sabemos conduzir melhor. Quando aparecesse a polícia na estrada os motoristas secundários sairiam do autocarro e relatariam todas as irregularidades, umas verdadeiras e outras inventadas, do motorista principal. Bom, se isto fosse mesmo um motorista de autocarro o mais certo era este mandar todos os outros à ... américa. E fazia bem!


publicado por Eu mesmo às 17:31

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