Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

Miguel Macedo - Boi de piranha?

Boi de piranha é uma expressão utilizada no Brasil para caricaturar a situação dos políticos sacrificarem um dos seus para distrair a justiça e a opinião pública deixando os restantes do seu grupo na paz e sossego para continuarem ou esconderem  as suas tropelias.

O termo tem origem numa técnica utilizada pelos grandes criadores de gado do Brasil que consiste em deitar um boi para um rio que esteja infestado de piranhas, normalmente um boi escolhido por ser mais fraco ou mais velho. Enquanto todas as piranhas se ocupavam o comer o chamado “boi de piranha” o resto da manada pode passar o rio sem perigo de mordidelas das piranhas.

O mesmo que aqui refiro parece estar a ser feito com Miguel Macedo do PSD. Este antigo deputado e ministro da administração interna foi nitidamente atirado às piranhas da justiça e da comunicação social. Deste modo pretende-se passar a manada do resto dos malfeitores do partido (Marcos Antónios Costa, Menezes pai e filho, Migueis Relvas, Dias Loureiros, etc., etc.).

Estas capas não têm outro significado?

5 Nov. 15

boi de piranha 1_Miguel Macedo.PNG

8 Nov. 15

 boi de piranha 2_Miguel Macedo.PNG

É sempre de desconfiar quando as notícias são repetidas e dadas de forma sensacionalista, como também foi acontecendo com Sócrates. Escolhe-se a fotografia mais desfavorável e umas letras bem gordas. O conteúdo da notícia pode dizer o contrário, ou nada, porque pouca gente lê e sempre dá geito para desculpa perante a justiça. A lavagem ao cérebro dos mais distraídos é uma técnica praticada por jornalismo de sarjeta, diga-se, com grande eficácia e profissionalismo. Também existe o termo do "crime perfeito", nestes casos as difamações perfeitas.

O que acho, quer para os da minha simpatia política, quer para todos os outros:

- Enquanto os casos estão nas mãos da justiça, não interessa, não se deve, nem se pode, estar a deitar lama para cima das pessoas.

As suspeitas são suspeitas, só depois de provadas, se forem provadas, é que se tornam crimes.

publicado por Eu mesmo às 19:42

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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Jornalismo mal cheiroso

Um escândalo dizer-se que uma jornalista cheira mal.

O cheirar mal pode ser interpretado em vários sentidos: - Não tomar banho e cheirar dos sovacos (catinga);

ou ter uma atitude menos digna, menos limpa intelectualmente, o que também se pode dizer que cheira mal.

Não seria a primeira vez que se diz que uma tal ou tal notícia "já cheira mal".

Pois a jornalista que cheira mal é esta Tânia Laranjo:

Tania Laranjo_grande jornalista do pasquim CM.jpg

 E o seu chefe também não cheira melhor:

Otaviano-chefe dos mal cheirosos.jpg

A explicação para o mau cheiro deste pasquim é a forma maliciosa, pouco séria e nada competente como dá as notícias.

Veja-se um exemplo da forma de tratar uma mesma notícia, o mesmo acontecimento, no mesmo dia, entre um pasquim e um jornal sério e independente.

noticia de pasquim_18Mar15.png

 É a vida. Todos nós temos os nossos cheiros! Os cães que o digam!

publicado por Eu mesmo às 15:23

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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Segredo de justiça - Mortal / Fatal

O "segredo" de justiça está pelas ruas da amargura, mas, para compensar, a "indiscrição, inconfidência, revelação, etc., outros antónimos" da justiça, estão no seu melhor.

Tudo se sabe. Ou porque alguns jornais são adivinhos, ou alguns jornalistas vão à bruxa, ou então porque "alguém" bufa aos jornais.

Não interessa. Também há os que acham que assim está tudo bem. Quando é para os seus opositores políticos tudo é lícito, mas quando é para as nossas simpatias é escandaloso. É a vida! O Homem não é perfeito.

Agora esta notícia não deixa de ser interessante, vinda da página da Associação Sindical dos Juízes Portugueses.

http://www.asjp.pt/2015/02/28/carlos-alexandre-fecha-processo-de-jose-socrates-a-sete-chaves/

Carlos Alexandre fecha processo de José Sócrates a sete chaves

Temos então as seguintes conclusões:

Tudo isto quer dizer várias coisas:
1º Esta limitação de acesso ao processo é uma confirmação de Alex de que as fugas podiam vir do sistema de justiça, seja, dos seus mais próximos.
2º Há notícias falsas a circular na imprensa "... malas com dinheiro entregues no estrangeiro..., etc.". Mas o Ministério Público nunca se preocupou a desmentir as notícias falsas.
3º Já ninguém sabe o que é mentira e o que é verdade.

Minha previsão:

O que houver de verdade, ou outras mentiras, só vão surgir uma semana antes das eleições legislativas.

Entretanto, surge na capa do jornal Público de dia 2 de março 2015:

capa jornal_publico_2Mar15_radical-mortal.jpg

Ora isto é interessante. O senhor não disse que não tinha ido almoçar com jornalistas. Apenas jurou que não tinha violado nada "ninguém", aliás, como as juras que ele próprio nunca acredita quando vindas dos suspeitos que lhe caem nas mãos. Para algumas "figuras" do Ministério Público, as justificações e provas que favorecem os arguidos levam frequentemente este rótulo "... ah, ah, isso vale o que vale...". (Está mesmo assim em muitos processos).

publicado por Eu mesmo às 10:16

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Sábado, 11 de Junho de 2011

Medo de Sócrates ou espírito vingativo?

Algumas fotografias e capas de jornais são mais reveladoras de sentimentos mesquinhos dos seus directores e jornalistas do que muitas palavras. Sócrates já lá vai e alguns jornalistas de sarjeta não desistem de perseguir o antigo Primeiro-ministro de Portugal. As eleições deram-nos outros protagonistas políticos que devemos avaliar e vigiar atentamente. O Sol e  Correio da manhã vão continuar a brindar-nos com títulos de primeira página sobre quem já não vai contar nada daqui para diante.

É certo que Sócrates ajudou a dar lucro e assunto de conversa a muitos jornalistas incompetentes e imbecis. Agora parece que não sabem do que falar e repetem noticiazinhas de cacaracá vezes sem conta.

Mas o comportamento das pessoas obedece a lógicas que a psicologia e a sabedoria popular há muito identificaram em duas frases conhecidas:

“Os incompetentes são desconfiados e inseguros”.

“Os mau carácter e imbecis são vingativos”.

 

Notícia falsa do Sol. Sempre os mesmos?

Ainda não sabemos o que move estas capas de jornais, vinganças pessoais? Insegurança relativamente aos novos dirigentes eleitos? Imbecilidade simples e exploração dos sentimentos mais mesquinhos dos leitores para venderem jornais?

Vai ser fácil perceber ao que andam certos senhores, bastará continuar a ler as letras gordas das capas de certos jornalecos.

publicado por Eu mesmo às 17:29

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Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Inteligência de jornalista

 

Acabei de ver na SIC um programa de comparação entre um automóvel a GPL e um automóvel a gasolina. Nas conclusões, para um mesmo valor de combustível (10 Euros), o carro a GPL fez mais cinquenta e tal quilómetros. Depois, noutras comparações o jornalista confirmou que não há perda de espaço na bagageira porque o depósito de GPL é colocado no local do pneu sobresselente.

Claro, e o pneu passa a ser colocado em cima da cabeça do condutor não é?

 http://sicnoticias.sapo.pt/

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publicado por Eu mesmo às 22:09

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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Acreditar nos jornais?

O blog "O Jumento" alertou e eu fui verificar.

Lá está.

O jornal "Público" voltou à mentira e à campanha eleitoral.

Passos Coelho aproveitou logo o assunto. À falta de ideias usou a notícia do jornal, mesmo depois do desmentido na página de internet do Tribunal de Contas.

 

Nota: O Público está desculpado. Afinal não é só o Público, são também o Correio da Manhã, o Sol, a Judite, o Marcelo, os políticos, os polícias, os juízes, os procuradores, sei lá quem mais? Eu? Se calhar é o Tribunal de Contas que está a mentir.

publicado por Eu mesmo às 19:50

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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

A justiça está a tornar-se uma brincadeira de imbecis

A justiça nos EUA é incrivelmente parecida com a nossa, ou a nossa justiça copiou as técnicas dos EUA.

Por exemplo. Strauss-Kahn “violou, se violou?” uma única pessoa – a empregada de hotel, no mesmo dia, na mesma ocasião. No entanto foi acusado de sete crimes: 1 e 2 – Violação (sexo oral), dois crimes; 3 – Tentativa de violação (dita normal), um crime; 4 – Abuso sexual, um crime; 5 – Tentativa de sequestro, um crime; 6 – Toque forçado noutra pessoa, um crime; 7 – Abuso sexual em terceiro grau. Cada vez que se mexia cometia um crime.

Cá também é a mesma coisa. Um super-juiz aproveita uma suspeita de uma irregularidade, e muito antes dos próprios serem sequer informados, já a comunicação social noticia que as pessoas tal e tal cometeram os crimes w, x, y, z (incluindo culpados e inocentes tudo no mesmo saco, e sobretudo, muitos crimes). A receita costuma ser: corrupção activa ou passiva para acto ilícito, participação económica em negócio, burla qualificada, abuso de poder, tráfico de influência, etc.

Mal comparado, seria como castigar um miúdo que não fez o trabalho de casa por: 1 – Preguiça agravada; 2 – Falta de cumprimentos de ordem; 3 – Desrespeito ao professor; 4 – Falta de aproveitamento escolar: 5 – Desperdício de dinheiros públicos; 6 – Mau exemplo aos colegas; etc. Tal como na justiça, o director da escola chama os pais e diz que o filho cometeu 6 irregularidades graves. Perante o protesto dos pais lá faz uma condescendência e castiga o jovem “apenas” a um mês de suspensão por desobediência e maus exemplo. Os pais ainda agradecem a atençãozinha.

Qual a lógica? Segundo um estudioso em casos de justiça, foi-me explicada a estratégia.

Acusar muitas pessoas e cada uma de muitos crimes é uma forma de assegurar uma possível (desejada) condenação. Torna-se mais visível o processo, maior pressão da opinião pública e da comunicação social, portanto, muito mais difícil a defesa quando as provas são fracas ou inexistentes.

Nada disto é justiça. É mais uma brincadeira, para não dizer - uma palhaçada.

publicado por Eu mesmo às 19:56

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Strauss-Kahn é um criminoso sexual

Poderei acreditar, mas acho um exagero acusar e possivelmente condenar com uma pena possível de mais de cinquenta anos; prisão com algemas, cela incomunicável à prova de suicídio, com gás para dormir, etc. Afinal não matou ninguém. Se quis ter sexo é porque gostou da rapariga. Aliás, o desejo sexual é uma coisa saudável. Se não houvesse instinto sexual não havia humanidade. Ou alguém pensa que as pessoas têm filhos porque a bíblia diz "Crescei e multiplicai-vos?". Não defendo com isto a violação, nem desculpo a infidelidade, mas as penas têm de ser proporcionais à gravidade e perigo para a sociedade. Só devemos dar opiniões afirmativas depois de ouvir as razões dos acusados e deixar a justiça fazer o trabalho sem pressões (já que a justiça parece não saber contrariar as pressões). Ridículo é ver manifestações de falsas virgens púdicas à porta do tribunal, com cartazes - violador, assassino.

E já agora, onde estão os burlões dos bancos americanos que causaram a crise mundial e mandaram para o desemprego e para a fome milhões de pessoas? Estão livres, saudáveis e ainda mais podres de ricos.

E ainda. Alguém tem conhecimento de algum padre pedófilo nos EUA estar preso, ou ter sido algemado para ir a tribunal?

publicado por Eu mesmo às 19:50

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Terça-feira, 17 de Maio de 2011

Perigoso criminoso

Pelas declarações da justiça norte americana estávamos diante de um dos mais perigosos crimonosos do Mundo, merecedor de uma pena de prisão de mais de cinquente anos.

Graças aos guardiões mundiais da moralidade a civilizazão ocidental está salva.

Aqui ficam as fotografias do perigo que andava à solta. Agora já pode muita gente dormir descansada

 

.

 

 

 

Algemado com as mãos atrás das costas, não vá ele fugir.

 

Deixo só umas linhas para pensarem. O Mundo talvez seja um pouco mais complexo do que parece.

 

Podem estar aqui em causa várias possibilidades de crime

 

1 - Strauss-Kahn seduziu a empregada e obrigou-a a fazer sexo.

 

2 –A empregada consentiu por sua conta para receber algum dinheiro.

 

  2.a - Depois pensou que podia obter muito mais do que o combinado – fez queixa.

 

  2.b - Ou não lhe quiseram pagar o combinado – fez queixa.

 

3 – A empregada foi colocada como isco por uma combinação exterior, facilitando de início para protestar depois, com ganhos fabulosos.

 

Cada um ordene a gravidade destas diferentes possibilidades de crime segundo a sua própria consciência. 

 

 Entretanto os banqueiros que arruinaram a economia Mundial, criando milhões de desempregados e biliões de biliões de dólares de defices em vários países, passeiam-se alegremente em liberdade.

É a vida ...

publicado por Eu mesmo às 20:25

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Sábado, 16 de Abril de 2011

De mal a pior. “A má moeda expulsa a boa moeda”.

O PSD e Passos Coelho ainda não perceberam a única citação de jeito de Cavaco Silva. “A má moeda expulsa a boa moeda”.

A teoria nem é de Cavaco afinal. Afinal o autor original da teoria foi Thomas Gresham (1519–1579), contemporâneo de Copérnico.

Cavaco apenas tentou fazer a analogia de que os maus políticos expulsavam os bons políticos. E é verdade. A começar por ele próprio.

Enquanto Passos Coelho mantiver como conselheiros Marco António Costa, Miguel Relvas, Diogo Leite Campos, Paula e Paulo Teixeira da Cruz, Paulo Mota Pinto, Frasquilho e companhia, Lda.,

outras pessoas de qualidade não vão querer assumir responsabilidades. Estamos num processo de escolha dos piores. Os radicais do PSD dizem que a única coisa que interessa é expulsar Sócrates. Assim, dispensam todos as oportunidades de se prepararem e escolherem pessoas competentes. Tudo se resolve sem Sócrates. Visão curta – antes fosse verdade, mas não é.

Com estas eleições vamos substituir um “mentiroso?” combativo e com algumas boas ideias (energia renováveis, mobilidade, novas tecnologias, etc.) por um mentiroso trapalhão, indeciso, inseguro e incompetente, com ideias repassadas (acabar com o Estado, privatizar tudo). Um homem atormentado com sonhos de esqueletos nos armários, e que tem medo de aparecer despenteado nas televisões.

A velha e actual teoria Económica de Gresham "A má moeda expulsa a boa", é a seguinte:

“A má moeda expulsa a boa moeda da circulação devido ao facto do ouro ser entesourado, em virtude do seu valor comercial ser superior. Explicando por miúdos, na época em que o valor do dinheiro equivalia ao seu peso em ouro ou prata, se houvesse quebra da moeda (o rei ou o governo decidisse cunhar moeda com o mesmo valor nominal, mas com menos teor em ouro ou prata), então os possuidores da moeda antiga preferiam guardá-la, porque embora o valor nominal para as transacções no mercado fosse o mesmo, ela valia intrinsecamente mais. Portanto, pouco a pouco, as transacções faziam-se usando apenas a má moeda, enquanto a boa moeda era entesourada nos baús caseiros." 

Fonte: http://semiramis.weblog.com.pt/arquivo/168124.html

Conclusão

Só a "má moeda" circula (governa). Os competentes (ouro) recusam-se a avançar.

Neste processo centrífugo de afastamento dos mais competentes dos cargos de decisão, quanto mais mudanças, mais depressa pioramos. Quando correrem com Sócrates vem um pior. Depois não descansarão as novas oposições, com a ajuda da comunicação social de sarjeta e de alguns juízes, em correr o mais depressa possível com Passos Coelho “se lá chegar”. Depois virá um qualquer “Manuel Maria Carrilho”, pior do que os anteriores, e depois outro, e outros ainda piores, … , até um novo Salazar (o tal ouro? E arrecadou mesmo ouro, muito ouro).

Infelizmente, tudo se encaminha para que após Sócrates venham outros ainda piores do que Sócrates. Assim, correr com Sócrates será fraca consolação para todos os que ficarão a ser mais mal governados e a viver pior. Uns poucos, muito poucos, ficarão melhor! Os tais …

 Nota mesmo final: Quando têm na carteira uma nota nova e outra nota velha e suja, qual a que tentam passar mais depressa? A nota velha e suja - inevitavelmente. Aqui está. A porcaria tende a circular mais depressa e fica ainda mais velha e suja.

publicado por Eu mesmo às 12:26

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Saúde mental pública

Anúncio no jornal do Fundão.

Nota: Também estou interessado, mas só se também incluir Miguel Relvas e Marco António.

Não discuto preço.

publicado por Eu mesmo às 23:03

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Domingo, 3 de Abril de 2011

Manuela Ferreira Leite

O jornalismo de sarjeta habitual enche primeiras páginas com: - Manuela disse isto, Manuela disse aquilo, ...

O problema é que Manuela já teve a sua oportunidade e não a aproveitou. Durão Barroso tinha uma maioria e tinha a Manuela Ferreira Leite como Ministra das Finanças. Durão fugiu! Manuela desapareceu sem ideias! Entregaram o governo a Santana Lopes, na maior irresponsabilidade da democracia portuguesa.

O resultado foi inevitavelmente a eleição de Sócrates.

Agora queixam-se de quê?

 ACORDEM JORNALISTAS :-(

publicado por Eu mesmo às 11:46

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Sábado, 2 de Abril de 2011

Votar por vingança

Muitas pessoas ficarão com a sua consciência muito descansada quando correrem com Sócrates. Ele é a causa de todos os males, pois tem sido o comandante do pesado navio até este estar prestes a encalhar.

Deita-se o comandante ao mar e o navio salva-se, assim como toda tripulação.

Depois arranja-se outro comandante.

O ânimo dos marinheiros ficaria muito mais optimista. Isto é a visão simplista.

Pensemos um pouco. Temos um candidato a novo comandante melhor do que o actual?

Se sim o problema será bem resolvido.

Mas se o putativo novo comandante não perceber nada de cartas de mar, não pode a emenda ser pior do que o soneto?

Ou seja, além da falta de conhecimento junta-se a falta de experiência prática. Vai começar por cometer todos os erros que o anterior já cometeu, ou seja perde-se tempo precioso quando já falta pouco para chegar às rochas.

O que é mais importante? Queremos ficar com o nosso ego satisfeito ou queremos sobreviver a um provável naufrágio?

Muitos portugueses começam a pensar friamente, mais com a cabeça do que com o coração, e preferem ficar com o comandante de que não gostam, mas que tem mais possibilidades de não os deixar cair à água.

Pode ser esta a explicação para as sondagens não darem o PSD de Passos Coelho com maioria absoluta. Umas dizem que o PSD desce 3,1% e PS sobe 0,5%, segundo o insuspeito de beneficiar o PS (CM):

http://www.sabado.pt/%C3%9Altima-Hora/Pol%C3%ADtica/Legislativas--PSD-desce-e-PS-sobe.aspx

Mas segundo o “insuspeito” Expresso, o “PSD à frente nas intenções de voto mas sem maioria absoluta”, (7 % de diferença entre os dois maiores):

http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/PSD+a+frente+nas+intencoes+de+voto+mas+sem+maioria+absoluta.htm

Há pelo menos uma manifestação generalizada de desilusão para com todos os partidos e todos os políticos.

Se todos os políticos são culpados da crise, então temos de encontrar uma forma de os castigar ou correr com eles.

Não votar/abster é uma forma de vingança eficaz? Não, porque só contam os votos dos que votam. Os políticos não se vão embora e tudo fica na mesma.

Então a vingança é votar em alguém contra partidos, exemplo – Manuel Coelho (o da Madeira), mesmo assim seria melhor do que votar em branco!

A vingança não nos salvará, tal como não salva atirar um comandante de navio borda fora quando não se tem outro melhor.

O melhor é tentar ameaçar o comandante e obrigá-lo a fazer melhor com a experiência que ele acumulou.

Primeiro a salvação, depois a vingança da antipatia (votação em eleições na altura própria).

Conclusão: Os portugueses têm de pensar muito bem no que vão fazer nas próximas eleições. O que está em jogo é a sua salvação e não as simpatias clubistas ou as vinganças.

Vai ser difícil decidir, mas muita gente vai tomar uma decisão que passará por engolir uns sapos.

A União Europeia è mais ou menos isto

Nestes também não se pode confiar ...

Random Precision

publicado por Eu mesmo às 10:36

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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

Medina Carreira vs Mário Crespo

 

Medina Carreira era amicíssimo de Mário Crespo e o contrário também era verdadeiro. Um dizia mata e o outro dizia esfola ...
Agora Medina começou a embirrar com a comunicação social (com ou sem razão, não sei) e Mário Crespo já não está a gostar pois também lhe doem os calcanhares.
Para Medina,  além de Sócrates, agora também a comunicação social não o quer escutar nem compreender.
Vai dar mesmo para o torto. Até Mário Crespo já vai ficando sem paciência para o ouvir. Eu já perdi há muito tempo.
Podia ter razão nalgumas coisas, mas quando disse que tinha feito umas contas sobre a economia do país num papelito, antes de vir para o programa, eu achei logo que, ou tínhamos um génio à espera do prémio Nobel, ou um lunático.
O programa chama-se "Plano inclinado". Ora aí está a razão de cair para o lado não tarda muito.

Nota: A palavra amicíssimo aparece nalguns dicionários brasileiros como amissíssimo ou amiguíssimo. Pode ser?

(lat. amicu).

publicado por Eu mesmo às 23:55

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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Antipatia com o sistema de justiça?

Não tenho nenhum preconceito contra os juízes, mas na realidade vejo que têm um poder imenso com decisão sobre a liberdade, dignidade  e bom nome de todos nós. O problema é que alguns juízes não merecem todo o poder que têm.

Os juízes são, ou deviam ser, bem preparados para julgar de forma imparcial, responsável, e não condicionada por nenhuma pressão, simpatia ou antipatia.

A mim parece-me cada vez mais evidente que alguns juízes julgam a vida dos outros com demasiada ligeireza. Tirar a liberdade ou o bom nome de alguém é como beber um copo de água. Se o caso for mediático e a opinião pública tiver uma convicção formada, e se esta for errada, muitos juízes não têm coragem de decidir com imparcialidade e verdade. Se suspeitarem que vão ser criticados acobardam-se e fazem o jeito à opinião dominante, mesmo quando as provas concretas vão em sentido contrário.

O sistema é perverso e só os juízes o podem corrigir.

Alguns casos recentes são bons exemplos e confirmação desta teoria. Tudo pode começar com uma suspeita de crime levantada pela comunicação social, envolvendo figuras públicas, de preferência do partido do governo. Os procuradores permitem uma investigação da polícia a tudo e mais alguma coisa, prisão preventiva para alguns, escutas telefónicas, buscas, etc. Os investigadores querem mostrar serviço portanto fazem um relatório o mais romanceado possível e utilizando a sua imaginação fértil.

O primeiro juiz, para não ter trabalho a ler tudo o que a polícia escreveu, assina por baixo a acusação. Para ele, concordar com tudo é o caminho mais fácil. Depois vem o juiz de instrução. Houve os acusados, mas também acha que será mais confortável  não dar muita atenção aos argumentos das defesas e manda tudo para julgamento.

Entretanto vai-se fazendo o julgamento público na comunicação social.

O Julgamento demora meses ou anos. Aqui a condenação ou absolvição são um pouco mais ponderadas porque entretanto a comunicação social esqueceu o assunto e deixa de haver pressões públicas.

Agora imaginem que alguém é apanhado injustamente numa teia destas. Um inocente que teve o azar de ter caído na má graça de um qualquer investigador incompetente.

Até que se sinta livre tem a vida estragada por anos de suspeita e condenação pública.

É isto que me preocupa e aborrece – tudo pode começar num mal preparado e irresponsável investigador da polícia e a partir daí a máquina trituradora e sem rosto da justiça vai trucidando culpados e inocentes na mesma amálgama.

Só juízes com coragem, inteligentes e responsáveis poderiam mudar isto – mas não querem ou não sabem.

Estamos à mercê dos piores, de um qualquer jovem investigador imaturo ou imbecil. Isto é que é a realidade hoje!

publicado por Eu mesmo às 23:31

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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Subscrição para Cavaco

Leiam o original:

BPN: Cavaco afinal vendeu barato

Por Felícia Cabrita       7 de Janeiro, 2011

http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=8623

Comentario:

Coitado do Cavaco. Perdeu dinheiro. Foi enganado.

Abra-se uma subscrição para arranjar fundos para compensar Cavaco dos prejuízos das acções.

Nota: Esta notícia tinha de vir no Sol, e com a cereja em cima do bolo - Felícia Cabrita.

Humor negro, branqueamento, rigor jornalístico, imparcialidade? Fico na dúvida.

Aliás, ninguém vai mudar de opinião por este meu comentário nem pela notícia de Felícia Cabrita.

Tal como na religião e no futebol, cada um tem as suas opiniões formadas e lê o que lê com os seus olhos de simpatia. Os que gostam de Cavaco dizem : "- Lá está. O homem é inocente, até perdeu dinheiro e por razões de política suja estão a tentar queimá-lo. Quanto mais lhe batem mais gosto dele".

Os que não gostam de Cavaco (como eu), dizem: "- Aqui está mais uma tentativa de desculpar Cavaco, mas tão mal amanhada que em vez de ajudar prejudica Cavaco. Obrigado Felícia Cabrita".

publicado por Eu mesmo às 18:33

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Sábado, 18 de Dezembro de 2010

Assange nos Reinos do oportunismo

Julian Assange, Wikileaks, os documentos secretos e as duas meninas púdicas.

As duas suecas que acusam Julian Assange de violação e agressão sexual são: uma feminista de 31 anos; e uma admiradora de 27 anos.

Depois das acusações de crimes sexuais, chamadas de "cilada" em várias ocasiões por Julian Assange, a "Senhora A" e a "Senhora W" vivem afastadas da atenção da imprensa: uma cortou a linha telefónica; e outra mudou-se para a Cisjordânia com uma missão cristã.

Tudo se precipitou a partir de uma conferência de imprensa concedida pelo fundador do WikiLeaks no dia 14 de Agosto em Estocolmo, organizada por uma ala cristã do Partido Social-Democrata sueco, baptizada de "Fraternidade".

A "Senhora A" hospedou o australiano no seu estúdio de Estocolmo desde a chegada de Assange à Suécia, no dia 11 de Agosto. Segundo o depoimento da senhora tiveram relações vários dias, tendo Assange ficado em casa da senhora até dia 20 de Agosto.

Na conferência de imprensa do dia 14 de Agosto outra mulher sentou-se na primeira fila: a "Senhora W".

No depoimento, a "Senhora W" afirmou que viu Assange na televisão e o considerou "interessante, corajoso e admirável". A senhora tirou um dia de folga e insistiu para passar a tarde com o fundador do WikiLeaks. Na noite de 16 Agosto, a "Senhora W" convidou Assange para visitar a sua casa, em Enköping, a 50 km de Estocolmo. Na ocasião aconteceram as relações sexuais que ela depois denunciou à justiça.

No dia seguinte, o caso foi a manchete da primeira página do jornal Expressen (deve ser o jornal Sol lá da Suécia).

Mais um caso de justiça ao sabor do vento.

As senhoras são o que são. Mas o que admira é a justiça sueca prestar-se a este serviço. Pois é, nestes tempos difíceis, em que a indústria dos automóveis Volvo, Scania e Saab já não dão muito dinheiro, uma importação de 280 000€ em troca por quatro pernas de loiras suecas não é mau negócio para a Reino do Sol Nascente.

Neste caso todos fizeram pela vida:

  1. Assange tem ganho fama e prestígio através de roubo de informações secretas
  2. As senhoras suecas ganharam fama e dinheiro à custa de Assange.
  3. O governo sueco ganhou divisas estrangeiras (muitos Euros).
  4. Os juízes suecos fizeram o trabalho sujo.
  5. Os advogados ingleses também vão buscar umas libras.
  6. O governo inglês faz o favor aos amigos americanos, metendo Assange numa cela solitária durante vários dias.

Tudo gente suja dos países civilizados. Não é só em Portugal que a justiça suja usa motivos laterais para apanhar pessoas que não consegue apanhar pelos motivos verdadeiros.

Também ficámos a saber que Visa, Mastercard e PayPal são instrumentos da política externa dos EUA, já que os pagamentos dos donativos para ajudar Assange a sair da prisão foram bloqueados por aquelas empresas.

publicado por Eu mesmo às 17:17

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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Wikileaks - Luís Amado - Guantânamo

 

Pois é! Os jornais só noticiam os escândalos e as contradições.
As notícias verdadeiras e esclarecedoras da verdade não vendem jornais, portanto não interessam aos jornalistas.
Mas deve interessar aos portugueses de bom senso, imparciais, justos ouvir os esclarecimentos de quem é citado na comunicação social de forma distorcida.
Aqui vai:

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Amado-nega-papel-em-voos-com-prisioneiros-dos-EUA.rtp&article=400019&visual=3&layout=20&tm=9

publicado por Eu mesmo às 23:12

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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Felícia Cabrita vs Teresa Costa Macedo. E agora?

Quando estalou o caso Casa Pia, todos os jornais falavam abundantemente sobre o assunto. Muita gente sabia tudo sobre os abusos às crianças e jovens. Davam-se listas de nomes, locais, detalhes de quem sabia e não sabia, qual o partido político com mais pedófilos, etc.

 


Aconteceu que neste frenesi alguém se aproveitou para colocar os nomes de quem não se gostava, por exemplo para aproveitamentos políticos ou outros interesses. Com toda a opinião pública interessada e os jornais a vender a justiça lá foi inventando as acusações e compondo as condenações para alguns dos nomes (culpados ou inocentes). Mas não era possível inventar provas para todos, mesmo com a maior das imaginações e manipulações.

O resultado foi o esperado, Ferro Rodrigues perdeu as eleições para Durão Barroso em 17 de Março de 2002. Estava conseguido o objectivo de alguns.

A justiça nem sempre se faz nos tribunais e é muitíssimo lenta, mas há uma coisa que ninguém deve descurar que é a infinita força e persistência dos que são acusados inocentemente.

Assim foram-se clarificando as manipulações e desmascarando quem divulgou alguns dos nomes, por falsidade de testemunho e difamação.

Quem acabou desta vez por se sentar no banco dos réus foi Teresa Costa Macedo (ex-secretária de Estado da Família, no governo da AD), acusada pela jornalista Felícia Cabrita por lhe ter fornecido informações falsas (lista de nomes).

Durante o julgamento do processo Casa Pia, Teresa Costa Macedo negou a autoria das anotações, o que levou Felícia Cabrita a dizer agora que ao negar ter escrito os nomes, a ex-governante está a sugerir que a jornalista forjou a lista ou tentou simular a sua letra. Na sequência da queixa de Felícia Cabrita, o Ministério Público acusou Teresa Costa Macedo de falsificação de declarações no julgamento do caso Casa Pia.

“Felícia Cabrita afirmou ter a certeza de que Teresa Costa Macedo lhe fez chegar a folha durante a emissão em directo do programa "Hora Extra", em 26 de Novembro de 2002”.

 


Tão amigas que eram e agora atiram as culpas de uma para a outra. Vamos ver no que isto dá.

O julgamento termina hoje, dia 14 de Dezembro. Estejamos  atentos ao resultado de tudo isto.

As duas querem tirar o rabo para fora deste assunto, mas uma delas está a mentir.

http://www.publico.pt/Sociedade/teresa-costa-macedo-nega-autoria-de-lista-de-supostos-pedofilos_1470783

É muito fácil enviar alguém para o banco dos réus, mas também pode ser fácil os que mandam os outros, eles próprios, irem lá parar.


publicado por Eu mesmo às 09:02

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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Miguel de Sousa Tavares no seu melhor

Estou farto dos mercados!

Miguel Sousa Tavares (www.expresso.pt)

 

 

0:00 Quinta feira, 25 de Novembro de 2010

 

 

 

 

Nunca o capitalismo foi um jogo tão viciado e tão amoral. Se vivesse hoje, Adam Smith seria anarquista.

-   Vejo na televisão imagens de rua da Irlanda, da Grécia, da Espanha, e são iguais às de Portugal: as pessoas movem-se de ou para o trabalho, há transportes a funcionar, comércio aberto, crianças a irem para escola, enfim, a vida como habitualmente. A mim parece-me que estes países e estas pessoas estão vivas, que não estão à beira da morte. Mas não, é ilusão minha: todos os noticiários nos dizem que sobre esta gente e estes países pesa a mais tenebrosa ameaça destes sinistros tempos económicos que se vivem: os mercados.

- Estou farto dos mercados, estou farto da constante ameaça dos mercados: os mercados acordaram bem dispostos mas, depois do almoço, os mercados enervaram-se e subiram-nos outra vez as taxas de juro; os mercados não gostam disto, os mercados querem aquilo; os mercados querem um orçamento aprovado, os mercados não acreditam na execução do orçamento que queriam aprovado; os mercados assustam-se quando o ministro das Finanças fala, os mercados reagem em stresse se o ministro fica calado mais do que dois dias; os mercados querem que os Estados desçam o défice, diminuindo despesas e aumentando receitas, mas os mercados fogem se a PT pagar um euro que seja de imposto sobre as mais-valias do maior negócio europeu do ano; os mercados estão preocupados com a quebra do consumo, mas os mercados adoram os aumentos do IVA; os mercados recomendam cortes salariais, mas os mercados são frontalmente contra os cortes nos salários e prémios dos gestores das grandes empresas, porque isso é uma intromissão estatal que contraria a regra da concorrência... nos mercados.

- Sim, eu sei: à falta de alternativa, estamos na mão dos mercados e não os podemos mandar para onde bem nos apetecia e eles mereciam. Mas convém não esquecer que foi esta fé nos mercados, como se fosse o boi-ápis, a desregulação e falta de supervisão dos famosos mercados, que mergulharam o mundo inteiro na crise que vivemos, devido ao estoiro do mercado imobiliário especulativo e do mercado financeiro, atulhado do que chamam "activos tóxicos" - que deram biliões a ganhar a muito poucos e triliões a pagar por todos. A Irlanda, que hoje os mercados flagelam com juros acima dos 8%, está onde está, não porque a sua economia tenha ido à falência (pelo contrário, e como sucede com Portugal, está em crescimento), mas porque os seus tão acarinhados bancos, maravilha fatal dos mercados e do liberalismo selvagem, rebentaram de ganância e irresponsabilidade e obrigaram o Estado a resgatá-los à custa de um défice de 32%. Num mundo justo, os mercados deveriam ser os primeiros a pagar pela falência da Irlanda; no mundo em que vivemos, quem ganha com isso são os mercados outra vez e quem paga são os contribuintes - irlandeses primeiro, europeus depois - e os desempregados da Irlanda. Por isso, a srª Merkel disse que seria justo que os mercados (isto é, os investidores na dívida pública irlandesa) participassem também nos custos de resgatar a dívida irlandesa, se isso se vier a revelar inevitável. Mas, no mundo em que vivemos, o que sucedeu é que toda a gente caiu em cima da srª Merkel, porque a sua declaração logo fez subir as taxas de juro junto dos indignados mercados. Mesmo no Inverno, já nem espirrar se pode, porque os mercados não gostam.

- Mas é assim que estamos: nas mãos dos abutres. Sim, eu sei, não adianta para nada matar o mensageiro no lugar da mensagem. Nem eu o faço: já escrevi várias vezes que agora não há volta a dar. Vivemos há tempo de mais a gastar o que não tínhamos e a endividar-nos para o futuro. Todos - indivíduos, famílias, empresas, bancos, autarquias, Estado - instalámo-nos irresponsavelmente num modus vivendi que consistiu em pedir dinheiro emprestado por conta da riqueza que um dia iríamos ter e nunca tivemos. Um exemplo basta para dar conta da insanidade financeira em que o país mergulhou: convencemo-nos de que era possível que cada português fosse dono de habitação própria, coisa jamais vista em lugar algum. Mas também nos convencemos (e ainda há quem esteja convencido) de que podemos ter auto-estradas de borla, o maior consumo público de farmácia e tratamentos hospitalares de toda a Europa ou um sistema de pensões cujas despesas aumentam incessantemente enquanto as receitas diminuem paulatinamente. Era fatal que um dia teria de chegar a conta destas criminosas ilusões que uma geração irresponsável de políticos alimentou e uma geração de eleitores aplaudiu. Chegou agora e eu acho que não temos outro caminho senão enfrentar a inevitabilidade de começar a cortar brutalmente nas despesas para podermos matar o défice, cobrir os juros usurários que os mercados agora nos cobram e começar a amortizar a dívida acumulada. E seria justo que tal sucedesse enquanto está no poder a geração que nos enterrou em toda esta dívida e dela beneficiou.

- Isso é uma coisa. Outra, é assistir de braços cruzados à ditadura dos mercados e à retoma, como se nada tivesse sucedido, das regras de um capitalismo moralmente pervertido e socialmente insustentável. Países como Portugal, a Irlanda, a Grécia, não obstante todos os erros próprios cometidos e a responsabilidade que têm nas suas actuais situações, têm o direito de exigir condições decentes para pagarem o que devem. Bruxelas e o FMI sabem muito bem que, com juros entre os 7 e os 11%, não há sacrifícios, nem despedimentos, nem miséria que chegue para conseguir pagar, sobrevivendo. É um escândalo que a PT não pague um tostão de mais-valias num negócio de 7500 milhões de euros porque factura os lucros da operação através de uma sua subsidiária sediada na Holanda, onde a taxa de IRC é de... 0%! É um escândalo para a PT, um escândalo para um país como a Holanda, que serve de barriga de aluguer para dumping empresarial e fuga fiscal, e um escândalo para a UE, os Estados Unidos e todo o G-20, que nem sequer se atreveram ainda, mesmo depois de terem visto o que viram, a começar a concertar-se para pôr fim a essa coisa pornográfica que são as offshores - autênticos salteadores da riqueza das nações e fábricas de desempregados.

-     Eu sei também qual é a resposta pronta, de cada vez que se fala nas offshores: "se nós não temos, têm os outros e as empresas fogem para os melhores mercados". Pois, mas se os senhores do mundo, concertados nas reuniões do G-20, decidirem todos boicotar as offshores e as empresas que lá existem, elas acabam, fatalmente. E, se já se conseguiu estabelecer regras universais para o comércio mundial e assuntos ainda mais complexos, porque não se consegue aqui? A resposta provável é esta: porque os senhores do mundo, ao contrário do que se possa pensar, não são Obama, nem Hu Jintao, nem Medvedev, nem Merkel ou Sarkozy: os senhores do mundo são uns cavalheiros que se reúnem uma vez por ano em fóruns como o de Davos, na Suíça, e aí, enquanto representantes do verdadeiro poder - financeiro, empresarial, político, militar e de informação e comunicação - entre si estabelecem as regras do jogo. E agora, com a Rússia e a China tão devotamente convertidas ao capitalismo, nunca foi tão fácil aos senhores do mundo estabelecerem as regras que lhes interessam. E nunca o capitalismo foi um jogo tão viciado e tão amoral. A falência óbvia do socialismo foi o caminho aberto para a libertinagem, sem regras, sem princípios morais e sem qualquer preocupação de que a economia sirva os povos, em lugar de os sugar. Se vivesse hoje, Adam Smith seria anarquista.

.    Texto publicado na edição do Expresso de 20 de novembro de 2010.

publicado por Eu mesmo às 22:41

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