Domingo, 11 de Novembro de 2012

Temos de aturar senhoras Isabel Jonet?

Temos de nos habituar a isto? Sermos sustentáveis desta forma? Não protestar? Isso é que era bom!

Para não chamar Isabel “Choné” vamos ter de ouvir o que a senhora disse e depois pensar um pouco. A polémica é grande a nível nacional. Já há quem queira queimar a senhora em público e outras coisas igualmente desconfortáveis. Mas grande parte dos que opinam a favor ou contra possivelmente não ouviram com atenção o que ela disse. Então oiçamos primeiro.

 

A senhora tem razão em muitas coisas que diz, mas tem algumas falhas, que deixam ficar no pensamento de quem não nasceu ontem, o que ela não disse, mas quase disse.

1 - Começando pelo copo de dentes. Então se ela critica nos próprios filhos lavar os dentes com água a correr em vez do copo de dentes, o que é que ela está a fazer como mãe? Não é que lavar os dentes com água correr abundantemente esteja certo, mas já houve tempos em que não se lavavam os dentes nem com copo (o copo e a escova custam dinheiro e se calhar vêm da China). Em tempos mais antigos, e ainda em muitos sítios em África, limpam os dentes com uma faca ou com um pauzinho, mas como não comem doces têm os dentes bons.

2 - “Os portugueses têm de aprender a viver com menos”. É verdade, mas é necessário explicar que portugueses. A senhora tem responsabilidades que não lhe deviam permitir dizer a uma pessoa a quem ela dá uma esmola “ O senhor ou a senhora tem de aprender a viver com menos”, quando essa pessoa vê o ministro Relvas chegar a uma reunião num Mercedes Benz CLS AMG que custa cerca de 160 000 Euros.

3 – “Vamos ter de aprender a empobrecer muito”. Mas quem tem de aprender a empobrecer? As pessoas que vestão a voltar a viver em barracas sem água nem torneira? Ou o Sr. Ulrich? O conselheiro António Borges, Dias Loureiro, Duarte Lima e outros que tais?

4 – “Ou vamos a um concerto de rock ou pagamos uma radiografia num hospital”. Pois também é em parte verdade. Um concerto de Rock com artistas estrangeiros, leva fortunas para fora do país, e o pouco que deixa no país vai para o bolso do genro do Presidente da República, ou mais uns poucos que organizam os tais concertos. A escolha de haver ou não haver estes concertos, de serem comprados os automóveis onde anda o Relvas, os telemóveis de última geração, etc., podiam ser proibidos pelo governo e ponto final. Mas não podem porque os países Europeus que também dizem que Portugal gasta mais do que pode (Angela Merkel, etc.), decidiram e impõem como ilegal os países limitarem as entradas de produtos de luxo nas suas fronteiras.

5 – “Se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias”. Mas eu pergunto, se uma pessoa não tem dinheiro para comer uma sopa todos os dias não come sopa todos os dias? Provou-se que aumentou a venda de papas de cereais tal como bem refere a jornalista. O que transparece é que aqueles que estão a comer bife dizem aos outros para não comerem bife, porque assim fica mais para eles.

6 – Foi à Grécia e viu miséria, mas acha ela: “Em Portugal podemos estar mais pobres mas não temos miséria” (minuto 3:12). Por onde anda a senhora? Talvez onde ela vive não haja pessoas a tirar comida dos contentores do lixo, mas começa a ver-se com não rara frequência em Lisboa e arredores. Eu vi várias vezes, só não tive coragem de tirar uma fotografia para mostrar.

7 – “Os pais continuam a educar mal os seus filhos, que continuam a viver em sua casa depois de adultos”. Pois eu vejo jovens com bons automóveis que é impossível serem comprados com dinheiro ganho por eles. Mas que classe social tem este privilégio? São os portugueses? A Sra não percebeu que uma das consequências da crise é o crescimento da desigualdade?

8 – “Porque não há dinheiro”. Não há dinheiro num local mas haverá noutros. O governo Português e outros não têm dinheiro para manter uma companhia aérea como a TAP, mas há um multimilionário, o empresário colombiano de origem polaca Sr. Germán Efromovich, que tem dinheiro para comprar a TAP. Se um negociante destes compra a TAP é porque esta lhe vai dar muito, muito dinheiro. Há muito dinheiro nas mãos dos que o ganharam injustamente e que o levaram para onde não pagam impostos. O que falta em Portugal é gente séria para gerir o que é de todos.

Em conclusão

O que foi dito podia bem passar sem críticas de maior se viesse de algum comentador de bancada sem responsabilidades especiais, ou de um político demagogo.

Algumas coisas são verdades, mas analisadas de uma forma superficial.

Ora esta senhora tem obrigação de conhecer o país real. Tem responsabilidades que outros não têm.

O que parece é que a Senhora transporta com ela os genes do Movimento Nacional Feminino (*), em que umas senhoras de “bem” ajudavam os pobrezinhos porque não tinham mais nada que fazer, ficava bem nas fotografias, eram agraciadas com os louvores dos bispos e cardeais e garantiam um lugar confortável no Céu. Bem referiu o comentador Daniel Oliveira a semelhança  com a outra Sra. Supico Pinto.

(*) MNF - organização de suporte do Estado Novo criada por iniciativa de Cecília Supico Pinto e apoiada por António de Oliveira Salazar, voltada para a organização das mulheres em torno do apoio à Guerra Colonial (http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Nacional_Feminino).

Se a senhora não tem competência para educar os próprios filhos tem competência para receber milhões em donativos para distribuir aos seus pobrezinhos? Não façam mal à senhora mas deixem-na ir para casa. Eu e muitas pessoas não estarão disponíveis para contribuir este ano para uma organização cuja dirigente apela ao empobrecimento voluntário em vez do estímulo ao nosso orgulho próprio. As suas desculpas só confirmaram o que pensa. - uma submissão aos mais ricos. Se realmente pensa nos pobres, é altura de o provar - demita-se. Mesmo que as críticas que lhe fazem sejam injustas não pode prejudicar quem precisa de ajuda. Seja humilde e dê o lugar a outros.

A fórmula é tão antiga que até chateia.


publicado por Eu mesmo às 12:15

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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Mundo cão da justiça

O mundo cão tem várias raças, incluindo a mais perigosa que é a de duas patas e que usa gravata. A começar pela justiça, ou pela falta dela.

Os tribunais e os nossos procuradores são pagos para fazer justiça, mas em vez disso têm-se revelado mais interesados em fazer política e defender interesses pesssoais.

Os recentes e menos recentes casos: Casa Pia, Freeport e Face Oculta são os exemplos mais acabados do que quero dizer.

No primeiro criaram-se expectativas de crime organizado que não se confirmaram de todo na investigação, mas depois da opinião pública completamente intoxicada e manipulada os procuradores e juízes não tiveram outra solução mais corajosa do que condenar (provavelmente) alguns inocentes, esquecendo o princípio básico de que, em caso de dúvida, é preferível deixar um culpado sem castigo do que condenar um inocente. Ficou na rede Carlos Cruz. Tiveram muita sorte Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio; Paulo Pedroso por não terem sido mais incomodados.

Leiam um pouco do primeiro capítulo do livro de Carlos Cruz. Já tínhamos todos ouvido a versão de Felícia Cabrita. É bom para fazer uma opinião ouvir o que tem a dizer a outra parte.

http://www.vogais.pt/docs/inocente.pdf

O processo Freeport, começou mal, com uma denúncia anónima organizada pela polícia, e deu em nada depois de tantas escutas de tanto dinheiro envolvido, luvas, CDs com gravações escondidas, chamadas telefónicas, contas bancárias, etc. Conseguiram corroer um primeiro Ministro, que aliás sempre foi o principal e único alvo a abater. Enquanto estava em fase segredo de justiça surgiam todas semanas retalhos do processo no Jornal Sol e quase todos os dias no Correio da Manhã. Agora que o processo foi arquivado e é público, deixou de se falar dele.

No Processo Face Oculta, pegaram nas trafulhices habituais de um sucateiro e acharam que tinham descoberto uma rede tentacular de corrupção. Como não teria efeito julgar casos individuais e separados de irregularidades de pesagens e esclarecer detalhes de contratos, acharam uma boa ideia formar um grupo imenso de 34 pessoas e mais duas empresas, e chamar a esta enfabulação "polvo", juntando num único processo pessoas que nunca se tinham conhecido entre si, e ornamentado com as cerejas em cima do bolo, a que chamaram os altos cargos da administração de empresas públicas, quase todos ou todos inocentes. Digo inocentes porque a comunicação social, só revela para a opinião pública as suspeitas (quase todas ridículas) dos procuradores do Ministério Público (M. Vidral e C. Philips). Quando são apresentadas em tribunal provas da inocência de alguns dos arguidos isso não passa na comunicação social. Quando alguns contestaram a roubalheira de Godinho os procuradores dizem que era "... para dar um ar formal de seriedade ...". Quando se pergunta pela contrapartida da "corrupção" não têm mais nada a escrever e dizer do que "... para ficar na boa consideração dos seus superiores ...".

Tudo isto aconteceu desta forma porque quiseram que o processo tivesse um efeito corrosivo e devastador na credibilidade de um primeiro ministro e de um partido político. Mais do que tudo, aconteceu uma manipulação de alguns elementos da justiça para atingir fins políticos.

E os procuradores e juizes cobardes conseguem dormir descansados? Se forem minimamente inteligentes isso admira-me muito, porque perceberão onde está a verdade, que eles próprios tentam esconder, o que revela  mau carácter e desonestidade intelectual. Se não percebem que estão a cometer grandes injustiças ainda será pior, pois neste último caso estamos perante verdadeiros imbecis e incompetentes.

O erro judiciário é das piores coisas que podem acontecer a uma sociedade. 

No caso particular de Carlos Cruz é bem possível que os juízes tenham tido medo da comunicação social, da opinião pública e do preconceito. Não estariam dispostos e receber críticas de terem perdoado criminosos porque eram pessoas "importantes", tendo em conta que o julgamento popular já estava feito. Pensaram só em si e na forma mais fácil de se "safarem".

Isto assusta.

publicado por Eu mesmo às 21:58

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